Arcebispo rejeita história e diz que aumento da violência é culpa do “ateísmo prático”

“Esse arcebispo tem uma leitura judaica do cristianismo, medieval da causa da violência e pentecostal do ateísmo.. em suma.. Um pensador…” – Carlos Ramos

Dom Anuar Battisti, arcebispo de Maringá, publicou esta semana em seu blog um texto onde associa o recrudescimento da violência em São Paulo, Rio e Santa Catarina, entre outros fatores, à “onda do ateísmo prático”, por acreditar que “a razão base de toda a violência é a falta de Deus”.

Falta Deus – esse também é o clichê da maioria dos apresentadores dos noticiosos do horário de almoço toda a vez que acontece algum assassinato ou qualquer tipo de violência, claro, no caso destes, com o complemento de que “vagabundo tem que morrer”, ou que “tem que levar borrachada”.

A estratégia de desqualificar e criminalizar aqueles que não compartilham dos mesmos preceitos que qualquer maioria dominante – seja ela religiosa, política, racial ou de gênero, permeia discursos de lideranças por quase toda a história, não fosse assim, a insígnia de comedor de criancinha não teria recaído sobre o comunista, a de sexo frágil para a mulher, a de desocupado para o sem-terra, a de promíscuo ao homossexual, a de bêbado e drogado ao estudante que se manifesta, a de inferior ao nordestino, a do ateu como causador do aumento da violência na guerra do tráfico de drogas.

Sou ateu, nunca pratiquei nenhum tipo de violência, pago meus impostos (coisa que a Igreja deveria fazer também), trabalho, ajudo as pessoas que precisam – dentro das minhas limitações, e me esforço para a construção de uma sociedade melhor, inclusive, por diversas vezes, estive lado a lado com líderes religiosos em lutas sociais. Me senti profundamente ofendido pela postagem do prelado!

Na tentativa de apontar um culpado para a violência, o arcebispo aponta a dedo rígido aqueles que não comungam de sua fé, da mesma forma que alguns pastores fundamentalistas associam os furacões nos Estados Unidos a homossexualidade, ou as lideranças de Israel justificam o extermínio de famílias palestinas em campos de fefugiados. Na Irlanda, por exemplo, uma guerra foi travada de 1964 até 2004 entre a minoria católica contra a maioria protestante, deixando milhares de mortos, tendo como justificativa a busca pela igualdade de direitos.

“Todo aquele que teme a Deus, ou seja, que coloca Deus em primeiro lugar, jamais vai roubar, assaltar, matar, usar qualquer tipo de violência” escreveu Dom Anuar, e complemento, todo aquele que teme a Deus – como também aquele que não crê – deveria respsitar as diferenças, banir a intolerância, e mais, nunca praticar ou acobertar práticas como a pedofilia – e aqui um lapso judicial em não aplicar o tal do “Domínio de Fato” para bispor e arcebispos que acobertaram padres pedófilos pelo mundo todo.

O avanço na violência se dá por fatores como a ineficiência no combate ao tráfico de drogas, desigualdade social, falta de políticas públicas, investimento em educação… fatores parecidos aos que geraram a grande onda de violância sofrida pela Itália na época de ouro da máfia, grande amiga da Igreja, repleta de chefões fiéis e dizimistas assíduos.

Categories: Sem categoria