Quando a classe média maringaense vai ao inferno…

1Eis que a classe média saiu às ruas após acordar assustada do sonho da Maringá  Perfeita.

Vítima da ilusão criada pela administração pepista, com suas campanhas publicitárias milionárias e cheias de meias verdades, a classe média maringaense saiu do transe em que se encontrava desde 2005 ao sentir o toque sorrateiro e ladino na parte de suas vestimentas que mais aprendeu a valorizar: o bolso! A lição mais valiosa depois de todos estes anos de coma social: Maringá não tem sido pensada para eles, nem para seus filhos, suas esposas, suas pequenas empresas…!!!

O orgulho de ser maringaense e a postura quase xenofoba daqueles que reproduziam o bordão “Se não está contente, mude-se de Maringá”, cunhado pela elite ante toda e qualquer manifestação contra a política barrista feita apenas para os empresários e imobiliaristas amigos, perde sua força.

Maringá é cidade pensada pela elite e para a elite, e nós, trabalhadores, apenas figuramos o cenário urbano planejado e arborizado, alimentamos o poder público com nossos impostos, a TCCC com o cotidiano vale transporte (um dos mais caaros do Brasil), e, por vezes, alguém se aventura no sonho de ser o feliz proprietário de um pedacinho deste “Eldorado”, na cidade com a terra urbana mais cara do Paraná, entre as cidades de médio porte, uma das mais caras do Brasil.

Parece insistência falar da artificialidade com que a gestão Barros/Pupin mantém a bolha imobiliária da cidade, com estupros constantes ao Plano Diretor de Maringá em conferências obscuras e feitas a toque de caixa em vésperas de feriado ou segundas-feiras em horário de expediente, mas a manifestação dos cidadãos contra o aumento abusivo do IPTU destes bairros é contra o fruto das manobras ardilosas feitas naqueles momentos.

Se, por um lado, a administração de Pupin quer levar a ferro e fogo e lei e cobrar o IPTU abusivo sobre os terrenos destes bairros, em outras grandes áreas, paradas, sem edificação nenhuma desde a fundação da cidade, a mão da municipalidade não pesa tanto. As grandes áreas deixadas para a especulação imobiliária não sofre a incidência de IPTU progressivo e, quando há, a administração faz corpo mole em embates judiciais, afinal, entre amigos as coisas se resolvem com mais tranquilidade.

A resposta de Pupin a classe média queixosa e às mães de família sem-teto foi dada em cima do rastro da manifestação via o jornal amigo da administração:

“Por meio da assessoria de imprensa, a Prefeitura informou que os valores do IPTU no Jardim Oriental estão corretos e que está agindo dentro da legalidade na cobrança do imposto.

Em relação a situação dos invasores do Conjunto Atenas, a administração explicou que os moradores não atendem aos critérios do programa aluguel social”

Junto da declaração da assessoria de imprensa de Pupin, a imagem da guarda municipal a postos para coibir os manifestantes de hoje, me trouxe a lembrança a resposta dada por Silvio Barros ao mesmo jornal quando da greve dos servidores públicos em 2006:

“Aos baderneiros, desordeiros, cidadãos que nem merecem viver em Maringá e, aliás, alguns nem vivem, esperamos que eles sejam presos…”

As mudanças continuarão, mudanças na legislação para beneficiar os imobiliaristas amigos e outros grandes empresários da cidade. Dias 05 e 08 de fevereiro acontecerão conferências convocadas por Roberto Pupin para, novamente, alterar o Plano Diretor da cidade. O eco destas conferências se dá em casos como o destas famílias que estão desesperadas com o alto preço no IPTU, com a falta de equipamentos urbanos nos bairros, com o alto preço da terra urbana e a perpetuação dos mecanismos artificiais de sua manutenção.

Todo o apoio aos manifestantes que lutam pos um IPTU mais justo, porém, que fique claro que, para o futuro, é sempre melhor prevenir.

Sob ameaça de cassação, Pupin sofre primeiro protesto

Aos gritos de “queremos o prefeito”, moradores protestam contra IPTU alto de Pupin na prefeitura

 

 

Categories: Sem categoria