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Eventual governo Temer não pacificará nem retomará crescimento

Rodeado por indiciados e delatados, de popularidade medíocre e com propostas impopulares, eventual governo de Temer não conseguirá pacificar o país nem retomar crescimento. Expectativa é que militantes pró-impeachment migrem para movimento Fora Temer e paralisem o país.

Brasília – Para oficializar a cartada final para a admissibilidade do processo de impeachment da titular da cadeira de presidente do Brasil, o vice, Michel Temer (PMDB), reuniu sob a batuta do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), 85% de deputados indiciados, delatados ou réus. Para formar este time, Temer prometeu ministérios e cargos de alto escalão em empresas públicas aos parlamentares do “bonde do impeachment”.

A construção política do processo de impedimento de Dilma se deu com base na estratégia de paralisação de seu governo, ao passo que deputados aliados de Temer trabalharam, com dedicação exclusiva, nos últimos 18 meses, para obstruir pautas que pudessem facilitar o caminho para a retomada do crescimento, via Câmara dos Deputados. Enquanto isso, formulava as propostas que viriam a compor a “Ponte para o Futuro”.

Uma ponte para a união dos protestos

Como parte da estratégia para tomar o poder, o PMDB lançou, em outubro de 2015, o programa “Uma Ponte Para o Futuro”, onde acenava para o capital estrangeiro e especulativo, além dos grandes conglomerados econômicos. Deixava claro para estes setores qual seria o retorno caso apoiassem o processo de impeachment. No Brasil, prontamente, Fiesp e similares, câmaras de dirigentes lojistas e associações comerciais, lojas maçônicas e grupos patronais abraçaram o projeto e passaram a investir nele.

Em recentes declarações, sob o efeito do “já ganhou”, Temer tem deixado clara sua intenção de flexibilizar a legislação trabalhista e desvincular receitas da União para saúde e educação. Com isso, o vice mostra aos empresários que está disposto a facilitar a terceirização e reduzir direitos dos trabalhadores, além de sinalizar aos planos de saúde e universidades privadas que reduzirá significativamente o investimento em saúde e educação públicas. Ao capital estrangeiro, a piscadela comporta as privatizações.

No dia seguinte à admissão do processo de impeachment pela Câmara, as redes sociais e lideranças independentes do movimento pró-impeachment começaram a apontar que Temer não é, de forma alguma, o norte perseguido por eles. Pessoas descontentes que se sentiram contemplados pelo chamado da Fiesp às ruas materializado por projetos de marketing como Movimento Brasil Livre e Vem Pra Rua, passam a identificar outro inimigo. Trabalhadores descontentes com o governo Dilma, insuflados pela grande mídia,  que foram às ruas pedir seu impeachment começam a se mover em outro sentido, o do enfrentamento à “ponte” de Temer.

O cenário de um possível governo Temer é de acirramento das manifestações de rua, com a migração de boa parte dos defensores do “Fora Dilma” para um “Fora Temer”, paralisando o país.

Os movimentos criados para insuflar as ruas contra Dilma não conseguirão evitar a guinada dos trabalhadores contra um vice traiçoeiro, sem nenhuma simpatia popular e com uma lista de propostas que comprometem os direitos trabalhistas, à saúde e à educação daqueles que, até ontem, ocupavam as ruas pedindo a queda de Dilma.

Se serve de alento para o povo, Temer diz que não apenas manterá o Bolsa Família, como vai aumentar o seu valor. No mesmo momento que o Ministro da Fazenda de um eventual governo Temer, Armínio Fraga, afirmou que é fundamental “rever a nova lei de reajuste do salário mínimo para diminuir sua valorização que vem ocorrendo desde 2003”, contemplando o segundo item dos chamados pontos fundamentais da “Ponte Para o Futuro”, que é o fim da indexação do salário mínimo na lei orçamentária.

Após desnudada em rede nacional a mesquinhez dos deputados de Temer, aceleradamente, caem as “escamas dos olhos” daqueles que acreditavam que tirar Dilma resolveria todos os problemas do país. O grande desafio para as forças progressistas da Nação é se manterem prontas ao diálogo e presentes nas ruas, transmutando-se no primeiro feixe de luz para os que desembarcarão do barco do Golpe.

Luiz Modesto – Secretário Estadual de Movimentos Sociais do PCdoB de Santa Catarina

Janete Ely – Economista e mestranda no Programa de Pós Graduação em Geografia pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC

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