Fora Feliciano: o pânico moral e a histeria ovina

Na tarde deste sábado (23), em Maringá, cerca de 100 pessoas pediram o afastamento do novo presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), o pastor Marco Feliciano (PSC).

Faixas e gritos de ordem marcaram a manifestação que também teve discurso de diversos movimentos sociais. “Fora Feliciano”, “Feliciano não me representa”, “Pede para sair, Feliciano”, gritavam os manifestantes.

Depois de se reunirem na praça Raposo Tavares, os manifestantes caminharam até a avenida São Paulo, passando antes pelo Terminal Urbano.

Os manifestantes também exigiram a imediata implementação do Programa Municipal Escola Sem Homofobia, aprovado pela Câmara de Maringá em 2010 e até agora não implementado pelo governo de Carlos Roberto Pupin (PP). – Folha de Maringá

marcoA história se encarregou de desconstruir outros movimentos reacionários, apáticos a  mudança e a equiparação de direitos entre todas as pessoas; foi assim com aqueles que defendiam a escravidão, com os que não aceitavam o voto das mulheres, com os que pensavam que o índigena não tinha alma, com os que acreditavam que as religiões afro eram coisa do demônio. O tempo, por meio das lutas e embates sociais, trata de desconstruir estes discursos de segregação e manutenção da desigualdade.

No caso da Bancada Evangélica, fica clara a estratégia de instaurar um pânico moral entre os fiéis mais suscetíveis a teorias da conspiração, gerando essa verdadeira histeria ovina. Utilizando-me da mesma analogia bíblica do rebanho, das ovelhas, podemos comparar a reação esperada pelos pastores fundamentalistas ao da debandada de um rebanho de ovelhas, onde, se uma se assusta e sai em disparada em uma direção, as outras, sem mesmo olharem para o lado, instintivamente, disparam no mesmo sentido que a primeira.

Pela perversidade desta tal bancada, e pastores que se identificam com a linha evangélica “xiita” de ser, a estratégia de aterrorizar os fiéis com o discurso de que equiparar direitos entre hetero e homossexuais destruiria a familia tradicional é tão ridícula quanto defender que os londrinenses não utilizem energia elétrica da copel, pois poderiam acabar com o direito dos maringaenses de utilizarem a mesma.

Do dia 13 ao dia 19 de maio teremos a II Semana de Combate a Homofobia de Maringá, evento que culmina com a Parada LGBT e cujo tema foi divulgado em maio do ano passado, “Estado Laico e o Direito do Cidadão”.

Das mais de 350 divindades cultuadas em nosso país, das centenas de livros sagrados pelos quais se orientam boa parte dos brasileiros, o único livro de normas que realmente interessa a toda a Nação e a todos os cidadãos do Brasil é a Constituição Federal. Respeitar este ou aquele livro sagrado, seguir uma religião pela vida toca, trocar de religião ou até deixar de seguir qualquer uma delas é algo que depende de uma decisão pessoal e que, acima de tudo, dispoe da liberdade individual; mas tudo isso difere da obrigação unanime de seguir as leis contidas na Constituição Brasileira.

As instâncias públicas de poder devem se empenhar cada vez mais em equiparar e garantir direitos e deveres entre os brasileiros, desde o tratamento judicial dado ao político corrupto com o dado ao ladrão de galinha, dos direitos e deveres dos homens ao das mulheres, do casal heterossexual ao homossexual.

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