Grilagem no Cemitério de Maringá: também foram pioneiros os pobres!

Pupin manda desocupar sepulturas pobres e antigas no Cemitério Público de Maringá. Pioneiros que merecem respeito são só os que estão sepultados sob grandes jazigos?

IMG_1604Esta semana foi noticiada a nova estratégia da prefeitura Municipal para amenizar o problema da falta de vagas no Cemitério Público de Maringá: “despejar” antigos “moradores” para revender as vagas. Como se fosse a melhor coisa a ser feita, o secretário Vagner Mússio foi à imprensa amiga informar que túmulos antigos seriam violados, que os restos mortais de centenas de maringaenses seriam colocados em ossários, e que os terrenos seriam revendidos para que outras famílias possam enterrar seus mortos.

Fato é que as vagas do Cemitério Municipal não acabaram por um passe de mágica, e que há de constar sempre que as vagas foram raleando durante os oito anos da gestão de Silvio Barros II sem que nenhuma atitude fosse tomada, e que se conste que, durante estes oito anos, Vagner Mússio seguiu como responsável pela secretaria que administrava o campo santo da cidade.

Não da para administrar uma cidade à base de medidas emergenciais ou, pior, sob a alegação mentirosa de calamidade pública para viabilizar contratação de serviços sem licitação (coisa que o PP tem feito aos montes em Maringá – só conferir o histórico de dispensa de licitações no site da prefeitura). A Prefeitura deveria trabalhar com dados e, à partir destes, fazer planejamento de ações. Levando em consideração que as pessoas sempre morrem, e que existe uma média de óbitos por ano – salvo desastres – , é de causar espécie o resultado do jeito pepista de administrar espaços públicos.

O mercado da morte fez a festa quando as vagas do cemitério chegaram ao fim. A “especulação  imobiliária” no cemitério municipal alcançou indices alarmantes, chegando ao ponto de famílias se proporem a retirarem os restos de seus familiares para outras localidades e colocarem a venda as covas por valores astronômicos. Quem lucrou com isso? Claro, a iniciativa privada, com seus cemitérios particulares, os cemitérios das cidades do entorno, crematórios…

O terreno no cemitério municipal é comprado, e todos os que lá entrerraram algum ente pagaram pelo pedaço de terra – e caro! Qual o desrespeito e responsabilidade que estão arcando os gestores de nossa cidade ao despejarem os restos mortais de algum maringaense ali enterrados e “desocuparem” o lugar para que seja NOVAMENTE vendido? Que nome poderiamos dar para esta prática?

No pequeno cemitério de Santa Cruz de Monte Castelo estão enterrados meus avós maternos, e lá permaneceram por trinta e cinco anos até que um tio, filho deles, analfabeto e sem acesso a jornais ou qualquer outro meio de comunicação, veio a falecer de um infarto fulminante. Imaginemos o transtorno que seria para minha família caso a prefeitura de Santa Cruz de Monte Castelo tivesse tomado a mesma atitude com os túmulos antigos da cidadezinha?

O argumento de Mussio para tentar justificar a escolha destas sepulturas para serem desapropriadas é que a Prefeitura tentou contato com as famílias proprietárias das covas e não obteve sucesso. Como? Via Diário Oficial! Quem vai imaginar que esta sendo vítima de desapropriação de um terreno pago em um cemitério e sendo notificado via Diário Oficial? Barbaridade isso!

Aos advogados de plantão, penso que vale um esclarecimento sobre as medidas a serem tomadas por famílias que queiram reclamar a posse do terreno adquirido para sepultar algum familiar no passado e que a prefeitura se apropriou para revender. Cabe alguma ação? O município corre risco de ter que arcar com salgadas indenizações pela medida emergencial, consequência de sua incompetência em planejar as coisas? Quando uma família recorrer a vaga que antes descansavam os restos de um familiar para enterrar outro no Cemitério de Maringá e mas não mais encontrarem, qual medida tomar?

Meu avô paterno faleceu ha quase quarenta anos, mas minha avó está, para nossa alegria, ainda firme e forte. O túmulo de meu avô segue intacto num pequeno cemitério da colonia bukovina da Lapa, imagino o transtorno que seria, quando minha avó falecesse, nos deparassemos com uma atitude parecida ao do prefeito Pupin no cemitériozinho colono da Lapa.

Fica aqui minha indignação com o desrespeito desta gestão com os pioneiros desta cidade, ou será que pioneiro, para eles, são só os ricos que descansam hoje sob grandes jazigos em nossa cidade? Tumulos antigos guardam os restos de maringaenses que também ajudaram a construir a cidade, pois foram pedreiros, pintortes, lixeiros, jardineiros, trabalhadores rurais da época de ouro do café.

 

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