“Op7” sem partido?

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O oportunismo da direitalha em tentar se apropriar da luta por melhorias no transporte nas principais cidades do país, em julho, suscitou nos brasileiros a necessidade de expressar sua indignação com as demais mazelas do Brasil, não apenas a pauta laranja do “combate a corrupção”. Os movimentos sociais, na sua luta cotidiana, ajudam a desvencilhar o governo progressista do Brasil das amarras que o grande capital lhe impõe. Agregar a estes a expressão da inconformidade dos manifestantes de julho engrossou o coro dos que querem um país melhor, e a tentativa de utilizarem do 07 de setembro para fazer uma bateria de protestos desestabilizadores e golpistas foi, definitivamente, um grande tiro pela culatra para a direitalha.

Ontém, na tal Op7, uma versão midiática da iniciativa engomadinha das lojas maçônicas, rotarys, lions e clubinhos elitistas afins, o “Dia do Basta”, ficou claro que este apelo golpista, com a intenção única de desestabilizar o governo, não tem espaço. Corrupção se combate com controle social intenso com as ações do governo e em todas as suas relações com o setor privado – principalmente ai, pois são os corruptores, aqueles que financiam vereadores, deputados, senadores para defenderem seus interesses, que pagam para burlar licitação, que soltam um dinheirinho por fora para facilitar seu empreendimento…

O que sempre me chamou atenção nessa brincadeirinha da direitona de tentar trazer para a pauta das lutas sociais o tal do “contra a corrupção” é, sempre, o fato de que quem financia estes atos são, maioria das vezes, figurões ou instituições corruptoras, e em suas faixas e gritos de guerra nunca se ouve falar em “contra os corruptores”.

Mecanismos vem sendo construídos para enfrentar a corrupção, e a participação na vida política cotidiana é a grande contribuição que os indignados podem dar a esta luta. Acompanhar o dia-a-dia do governo e de suas relações com o privado é fundamental. Participar das instâncias de controle social, lutar para ampliar este controle, são ações verdadeiramente concretas para mudar o cenário de corrupção no Brasil.

Enquanto se grita “sem partido”, os grandes empreiteiros, latifundiários, fundamentalistas religiosos alinhados com os interesses do grande capital, representantes dos quadrilheiros da imprensa golpista, todos eles, seguem preparando suas campanhas para as próximas eleições, todos, em partidos. Pois é, vejam o absurdo da coisa: enquanto eles te incentivam a odiar as instâncias políticas, demonizam os espaços de representação, colocam na tua boca o famigerado “sem partido”, eles se articulam – em partidos – para manterem seu esquema de dominação. Não seria uma maior contribuição se representantes do povo, do mesmo povo que se despertou e foi para as ruas por um país melhor, que tivessem como bandeiras as pautas que foram levantadas no julho deste ano, concorressem nas urnas com os lobos quadrilheiros que citei acima? Apoiar e defender a reforma política proposta pela Dilma é viabilizar que candidaturas do povo possam ter a chance de ter sucesso nas urnas.

Lutar por um país melhor não é só ir para as ruas quando um mascarado chama, mas ir para as reuniões comunitárias, conferências de saúde, educação, cultura…, sessões de câmara de vereadores, deputados… viver a vida política da cidade, do estado, do país, não acordar assustado e sair papagaiando jargões avulsos emplacados pela imprensa.

Enquanto em outros países as manifestações de rua pedem políticas sociais, de ampliação do bem estar da população, aqui, pressionamos para que elas, implementadas a décadas, sejam ampliadas. Para os movimentos sociais e todos que apoiam o governo progressista do Brasil, o grande compromisso é garantir que ele mire cada vez mais à esquerda, aos interesses do povo, e não dos exploradores.

 

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