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Uma melancia para o oportunismo de Brito

Na última terça-feira (16), durante a sessão da Câmara de Vereadores de Maringá que deliberaria sobre o Plano Municipal de Educação, o vereador evangélico Luciano Brito moveu uma multidão de fiéis para defender a família heteronormativa e impedir a aprovação de diretrizes de combate ao machismo e a homofobia nas instituições de ensino municipais. Com cartazes de “gênero não” e aos gritos de “Maringá é de Jesus” e “Família (heteronormativa) unida, jamais será vencida”, Brito consegui a façanha de colocar o maior número de munícipes dentro da casa de leis da Cidade Canção em toda sua história.

Tudo estaria muito bem se não fosse um detalhe: não havia diretriz sobre gênero para ser votada!

Numa manobra calhorda e antidemocrática da secretária municipal de educação, Solange Lopes, em conluio com o próprio Brito, as diretrizes aprovadas na Conferência Municipal de Educação foram subtraídas, usurpadas do Plano. Sumiram, num milagre!

Daí a gente se pergunta: Precisava mesmo a chuva de factoides que iam desde um surto de suicídios e aborto na Suécia por culpa da “ideologia de gênero” às famosas teorias esquizofrênicas da conspiração, com direito a plano para destruir a família tradicional? Precisava mobilizar essa multidão com bíblia na mão e ódio no peito para protestar contra a apreciação de uma diretriz que nem mesmo estava indo para votação?

Para a estratégia de marketing do vereador e candidato à reeleição pela Assembleia de Deus de Maringá em 2016, sim!

Luciano foi ligeiro, espertão. Aproveitou do mimimi que Malafaia e similares tem feito sobre o tema e resolveu ganhar prestígio com o eleitorado, fazer discurso sobre algo imaginário, um inimigo inventado, matéria fora de pauta, e jogou para a torcida, que aplaudiu e gritou: “Luciano, Luciano!”

A torcida era massa de manobra? Não sei ainda. Talvez vítimas de um discurso terrorista, de um esforço sobre-humano para criar um motivo totalmente inverídico para tirá-los de suas casas para defenderem algo que jamais esteve sob ameaça. Um bando de desesperados, numa histeria estratégica e artificialmente construída, lutando ferrenhamente contra nada!

Brito quis mostrar força, quis valorizar o passe diante do prefeito e da família Barros (a turma que manda), ao dizer que tem os evangélicos na mão, que enche a Câmara na hora que quiser, contra ou a favor aquilo que bem entender. Conseguiu!

Única coisa que podemos afirmar, não fosse a demonstração de força e a jogadinha de marketing direcionado, é que se houvesse um prêmio de melancia da década para um vereador que soubesse criar um fato em cima do medo e do fanatismo das pessoas, a melancia do ano iria para o oportunismo de Luciano Brito.

Sobre a diretriz que trata da eleição direta para diretores das instituições de ensino municipais (hoje indicada pelo prefeito amigo de Brito e da turma da bíblia, com um bocado de cargos comissionados e tudo), que também foi retirada do Plano Municipal, nem um só piu de Brito e sua turma.

Realmente, para nossa tristeza, Maringá parece mesmo ser de Jesus.

 

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